NOTA: 4,5 / 10
The Twilight Saga: Eclipse
EUA , 2010 - 124 min.
Aventura / Fantasia / Romance
Direção:
David Slade
Roteiro:
Melissa Rosenberg
Elenco:
Kristen Stewart, Robert Pattinson, Taylor Lautner, Billy Burke, Ashley Greene, Dakota Fanning
Tenho sentimentos controversos em relação à Saga Crepúsculo. De um lado, minha parte cinéfila fica enjoada e entediada só em considerar a hipótese de ter que aguentar mais um capítulo com conversa fiada, romance mesquinho e pouca ação. Minha parte de crítico sadomasoquista, por outro lado, adora a expectativa de encarar uma sessão dos filmes, só para poder acabar com o sonho de menininhas por aí. E por isso que posso soar tão violento nessa crítica. O final da sessão é uma mistura de frustração com sono e, por mais que chamem os melhores diretores da década, não será suficiente para tornar Crepúsculo um marco para toda uma geração.
Eclipse mostra novamente a indecisão de Bella quanto a seu amor por Edward ou sua amizade por Jacob. Mas, dessa vez, com um exército de vampiros para atrapalhar.
A direção de David Slade é competente e torna Eclipse o melhor filme da série até agora. Mesmo que isso não signifique nada. A fotografia perde os contornos calorentos de Lua Nova e torna-se fria, quase prateada, diferente até do tom azulado do primeiro filme. São belas tomadas e até consegue enganar nos primeiros minutos, antes que batamos de cara com a realidade da história. A direção também é firme nas poucas cenas de ação de Eclipse que ao menos são convincentes e poderiam ser mais exploradas. David Slade já trabalhou com vampiros em 30 dias de noite, mas lá, teve um desempenho mais marcante, com a ajuda do roteiro sombrio.
O elenco, bom, continua uma boa safra de bananas. Kristen Stewart é uma atriz metódica. Metódicamente chata, sem sal e desgraçadamente entediante. Seu rosto mantém a mesma expressão congelada dos cartazes pelas intermináveis 2h de filme. Taylor Lautner era ao menos um pouco melhor em Lua Nova, mas aqui parece mais um pirralho mesquinho com tendências emo, que parece ser tão burro quanto uma porta para cair toda santa vez no joguinho de megera da protagonista. Já Robert Pattinson tem sua primeira identificação com o espectador que não é fã, no terceiro capítulo da série quando olha pra Jacob e diz: "Esse cara não tem uma camisa?". Graças a Deus, não somos os únicos agredidos. No mais, faz bem o papel de corno manso e homossexual reprimido.
O roteiro é sim capenga. Não adiante dizer que não...em uma situação real ninguém suportaria a indecisão de uma garota mimada que faz joguinhos com seu futuro marido e o melhor amigo. Todos os diálogos dos últimos dois filmes se repetem incessantemente. A longa duração do filme não ajuda. Bela fica correndo de um lado para o outro da tela, só para poder se abraçar o máximo possível de Jacob, enquanto Edward fica se reprimindo em outro canto da sala. Pior do que isso é ver o garoto-lobisomem sem camisa durante uma tempestade de -17ºC. Já é pedir de mais para minha caixola. Outro grande descoberta é que vampiros são inflamáveis. Altamente inflamáveis já que Edward precisa somente jogar um isqueiro em cima do corpo de Victoria para que ela vire uma pira olímpica.
Juro que tentei gostar do filme. O começo me deu esperanças, mas os clichês e a enrolação me deixaram entediado demais. Ainda não entendo o que essa saga tem de tão influente. Talvez por mexer com a menina dentro de cada mulher... Mesmo assim, Bela é a pior cafajeste do cinema nos últimos anos. Desde Jude Law em Closer não existiu um personagem tão sem escrúpulos e dignidade.
No trailer de Harry Potter e As Relíquias da Morte uma frase mostra a sutil diferença entre as duas sagas: "Um marco para uma geração". Definitivamente, o único marco que Crepúsculo irá deixar nos cinemas é a felicidade por deixar de existir.