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TOP 10 - Os melhores de 2009 no cinema!

TOP 10 - Os melhores de 2009 no cinema!

Chegou o fim de mais um ano, principalmente no que se refere a cinema. Enquanto lá fora os filmes chegam nessa época, para aproveitar a temporada de premiações, aqui, nós buscamos incessantemente algum cinema com bons filmes. Já que as estreias por aqui são tão fracas, nada melhor do que relembrar o que passou pelos cinemas neste ano. Segue o TOP 10 do cinema em 2009!

10 - Foi apenas um sonho(Revolutionary Road) -Dir.: Sam Mendes. Elenco: Leonardo Di Caprio, Kate Winslet.

Esquecido pelo Oscar, o novo de Sam Mendes(de Beleza Americana) choca. Como um espinho que fica incomodando, ele provoca o espectador, cria esperanças e as destrói sem a menor piedade. Mais uma vez, acaba com a classe média, dessa vez com o casal mais apaixonado de todos os tempos em TITANIC. O filme é quase um "O que aconteceria se..." Jack e Rose tivessem sobrevivido e morassem no subúrbio. O casal cai na rotina mas logo tem uma idéia: mudar-se para a França e começar uma nova vida. Contrariando regras sociais eles estão prestes a largar tudo e viver um sonho...e então, você lembra do título do filme. Atuações brilhantes e viscerais, além de um texto afiado, faz de Foi Apenas um Sonho, uma das melhores produções deste ano.


9
- Se Beber não case(The Hangover) - Dir.: Todd Phillips.

Pode uma comédia ser recorde mundial de bilheteria e agradar a crítica? Se beber não case conquistou essa façanha neste ano. O diretor Todd Phillips(de Dias Incríveis) juntou Bradley Cooper, Ed Helms e Zack Galifianakis em uma história de porre em Las Vegas. Aos poucos, os três amigos descobrem que o quarto amigo e noivo está desaparecido. As pistas? Um tigre no banheiro, um dente quebrado e um bebê. A reconstrução da noite passada beira momentos de pura genialidade, com a presença do ídolo caído, Mike Tyson. A continuação está garantida e os bolsos, forrados...


8 - Watchmen - O filme(Watchmen) - Dir.: Zack Snyder.


Sou um fã confesso de quadrinhos e de Watchmen. Sou um fã de zumbis e de Zack Snyder(de Madrugada dos Mortos). Ver a obra transposta na tela parecia algo impossível. Mas o diretor mais estiloso da década conseguiu a proeza de forma espetacular. Um show de imagens sensacionais, e a HQ retratada de maneira fiel e imaculada. É quase como assistir a um "Aprenda a adaptar quadrinhos com Zack Snyder". Os efeitos especiais são impressionantes e o filme tem a melhor abertura da década, ao som de Bob Dylan e "The times they are a-changin". Estético, forte e com uma trilha sonora arrasadora, Watchmen não poderia ser melhor.


7 - Apenas o fim - Dir.: Matheus Souza

Esse pode se encaixar na categoria de primeiro filme brasileiro nerd(não lembro de mais nenhum). Um casal tem uma hora para se despedir, já que ela, pretende fugir da sua vida. Mesclando elementos da cultura pop dos anos 90, é impossível não se identificar com o nerd fracassado e a garota liberal. Ali, eles discutem porque Transformers é melhor que Godard, Cavaleiros do Zodíaco e, claro, Caverna do Dragão, elementos que povoam a infância e adolescência de quase todos no Brasil(e as tardes da Manchete). Mais do que isso, é quase uma terapia de regressão, mas anti-Antes do Amanhecer, de Richard Linklater, ao qual o filme tem boas referências. Bom visual e história cativante, tornam Apenas o fim, um dos melhores do ano.





6 - Anticristo(Antichrist) - Dir.: Lars Von Trier. Elenco: Willem Dafoe, Char
lotte Gainsbourg.

Chocante. Anticristo fez muita gente sair do cinema com as mutilações psicológicas e físicas que retrata. O expurgo da depressão de Lars Von Trier também marcou sua volta ao centro das polêmicas: daqueles que odiaram e daqueles que veneraram o filme. A sutileza dos diálogos, a brutalidade e singeleza das cenas que se alternam são fundamentais para a compreensão dessa obra. O prólogo em câmera lenta é uma das cenas mais belas e perturbadoras do cinema no ano. A interpretação do casal de protagonistas também mantém o espectador aficcionado pelo final, cheio de significações e que não vai sair tão cedo da memória...



5 - Deixa ela entrar(Let the right one in) - Dir.: Thomas Alfredson

Em época de Crepúsculo, explode a moda de filmes de vampiro. Mas, Deixa ela entrar, recupera a sutileza das boas histórias e adiciona elementos modernos. O filme mostra um garoto norueguês magro e pálido(e com tendências sado-masoquistas) que conhece a nova vizinha de 13 anos. Ela, é misteriosa e logo ele entende: Ela é uma vampira. Nem um pouco boazinha. Nessa paixão, não apenas ela vai encontrar um amigo, como ele vai amadurecer e mostrar um lado sombrio. Fora do glamour, aqui o clima é basicamente frio e nem um pouco romântico. A obsessão que o filme retrata faz com que depois de muito tempo, vampiros sejam novamente temidos.

4 - Avatar - Dir.: James Cameron. Elenco: Sam Worthingtom, Zöe Saldana e Sigourney Weaver

10 anos de produção. Esse foi o tempo que levou para o mago dos efeitos especiais James Cameron desenvolver seu novo filme Avatar. O filme prometia revolucionar o cinema, apresentando tecnologia 3D de ponta e conseguiu. Foi onde nenhum outro filme havia chegado até então. Um visual incrível, todo um mundo criado e ótimas atuações. Avatar surpreendeu até o mais cético dos espectadores. Nem por isso, escapa dos defeitos da história, que mostra um paraplégico veterano de guerra que viaja ao planeta Pandora, onde irá controlar um AVATAR: o corpo de um nativo do planeta. O lançamento no final do ano foi óbvio: arrasar quarteirões na temporada de premiações dos EUA e pagar o alto custo do filme(dizem as más línguas, estimados em 500 milhões de dólares). Avatar é rota obrigatória nos cinemas 3D.

Apesar dos inúmeros ótimos filmes do ano terem ficado de fora desta lista, os três primeiros são sem dúvidas os mais incríveis e surpreendentes do ano. Vamos a eles:

3 - Bastardos Inglórios(Inglorious Basterds) - Dir.: Quentin Tarantino. Elenco: Brad Pitt, Eli Roth, Cristopher Waltz.

Tarantino é genial. Sua carreira é construída com filmes de muito diálogo e violência. Desde Cães de Aluguel, o ex-atendente de locadora mostra uma obra-prima atrás da outra. Seja homenagem a estilos famosos nos anos 70-80, seja personagens marcantes, a obra do diretor é sempre alvo de discussão e espera da legião de fãs que o sustentam. Desde Kill Bill, o Brasil não via uma obra do mestre. Esse ano, o lançamento de Bastardos Inglórios empolgou tanto que o filme foi o maior sucesso de bilheterias do diretor. Não podia ser por menos: Esse pode ser considerado a obra-prima de Quentin. A história mostra um grupo de soldados renegados, que decide aterrorizar os nazistas. A violência está lá, os diálogos longos e geniais também. Mas, o que mais chama a atenção no novo filme é sem dúvida a gama de personagens a serem lembrados. Entre eles o genial Cristopher Waltz, na pele do terrível Hanz Landa. É de deixar os cabelos em pé. Atormentador, sarcástico e perigoso ele é o destaque desta história e vai para o hall de personagens marcantes do diretor, junto com Vincent Vega, A noiva e Mr. Blonde. "That's a bingo!" "You just say bingo." "Bingo! How funny!!!"

2 - Star Trek - Dir.: J. J. Abrams. Elenco: Chris Pine, Zachary Quinto e Leonard Nimoy.

Essa talvez foi minha maior surpresa do ano. As animosidades sumiram quando assisti ao primeiro trailer do novo filme. Foi quando tive certeza que ele seria um dos melhores do ano. Na cabine de imprensa, saí do cinema com a boca aberta! Star Trek foi além do que eu esperava...Pena que no Brasil, ficou pouco tempo em cartaz. A história mostra a tripulação da U.S.S. Enterprise sendo formada pela primeira vez. A história aqui é desenvolvida em outra linha temporal e o futuro é uma incógnita para o Spock da história original que vê as diferenças entre a sua realidade e a nova criada. Nesse novo início, Spock e Kirk terão que aprender a domar seus medos e receios e trabalhar como equipe pela primeira vez. Se não bastasse o gás que os roteiristas deram a história, J.J. sabe como empacotar bem o trabalho com um show de imagens de tirar o fôlego. São perseguições, lutas espaciais e físicas, muita tensão, suspense... Star Trek só pode ser definido como a aventura perfeita! É o elo de ligação entre fãs de Star Wars e Trekkers que ninguém imaginou ser feito. Atuações brilhantes e claro, referências a série estão lá. Por isso, "Live long and prosper!" _\\//

E finalmente...

1 - Up: Altas Aventuras(UP) - Dir.: Pete Docter e Bob Peterson

Já faz tempo que a Pixar revolucionou o mercado de animações com o primeiro filme 100% 3D, Toy Story. Nada demais, visto que a Disney manteve o mesmo estilo de história, apesar das diferenças nas animações. Aos poucos a empresa foi desenvolvendo personalidade própria, longe dos braços da companhia do Mickey, e a olhos vistos, tomando outras formas. Posso dizer que pessoalmente, assisti Procurando Nemo, Monstros S.A. e os antecessores com os mesmo olhos: animações dirigidas ao público infantil, sem grandes mudanças. Foi quando veio Brad Bird e trouxe Os Incríveis. Pela primeira vez notei a sensibilidade dos personagens, suas fraquezas, emoções e claro muita ação elaborada. O filme foi sucesso nas bilheterias e levou o Oscar de melhor animação. E a Pixar dava um passo adiante. Veio o fraco Carros, mas em seguida, Ratatouille, novamente do genial Brad Bird, e Wall-E. Esse último atingiu um status incomparável e consagrou a empresa não como apenas uma companhia de animações, mas uma produtora de obras-primas. 30 minutos de filme sem falas. Uma dança no espaço coreografada de forma engenhosa e uma história simples mas humana(com robôs). Teria a Pixar chegado em um patamar inalcançável para ela mesma?
UP mostrou que não. A história do velho que viaja com sua casa amarrada em balões vai além de Wall-E. Os minutos iniciais do filme mostram isso claramente. Embalados por apenas uma música, sem falas, Up nos leva do riso às lágrimas em pouquíssimo tempo. E digo mais, não apenas uma vez... O filme todo é uma sucessão de risadas estridentes e momentos melancólicos. Seja a saudade de sua esposa, seja a família do pequeno escoteiro Russel, para cada risada há uma lágrima. Assisti 3 vezes ao filme no cinema, e em todas elas não segurei a emoção. Claro que Up não é só iss: Há muita aventura, cenas grandiosas de tirar o fôlego, como a tempestade, a fuga da caverna e a batalha final no zeppelin. Além disso, é impossível não dar gargalhadas com os cães falantes, e os protagonistas da história que tem um timming perfeito para o humor.

Por se superar novamente e tornar a vida de todos no mundo um pouco mais completa, Up leva o prêmio de melhor do ano, ao menos, na minha humilde opinião...

E que 2010 seja um ano ainda melhor do que 2009, no cinema!

Avatar


Avatar - A volta do rei do mundo


Nota: 10 /10
Avatar

EUA, 2009 - 162 min
Ação / Ficção científica

Direção:
James Cameron

Roteiro:
James Cameron

Elenco:
Sam Worthington, Zoe Saldana, Stephen Lang, Sigourney Weaver, Michelle Rodriguez, Giovanni Ribisi


"Eu sou o rei do mundo!". Foi com a estatueta de melhor diretor na mão que James Cameron proferiu aquela que seria uma de suas poucas frases em público pelos próximos 12 anos. Recordista em Oscar e indicações, bilheteria bilhonária. O diretor saiu de férias em grande estilo. Titanic foi um sucesso retumbante e um investimento arriscado. Cameron começou então um outro projeto. Ele sabia que era arriscado e não teve coragem de falar muito sobre ele até o momento certo. Ao final da premiação de Senhor dos Anéis, em 2003, tomou a decisão: era hora de colocar em prática Avatar. Foram dez anos de pesquisa para, novamente, desenvolver uma tecnologia revolucionária, como aquela utilizada em O segredo do abismo, Exterminador do futuro 2 e Titanic. Avatar é alardeado ao final da primeira década do século XXI como o divisor de águas do cinema 3D. A história do planeta Pandora prometeu durante todo o ano de 2009, arrebatar o coração, mente e olhos dos espectadores. Todas, todas as promessas de James Cameron, foram cumpridas. Avatar é a experiência visual definitiva.

A história mostra um veterano do exército sendo convocado para assumir um avatar(corpo de um alienígena) através de uma ligação mental, no planeta Pandora. Mas, lidar com o outro lado sem se envolver, mostra ser uma missão impossível.

Desde a primeira imagem, o filme tira o fôlego. A tecnologia do 3D é surpreendente. As cores, os tons...as descrições que as primeiras pessoas que assistiram o filme tiveram, de parecer um sonho acordado, são totalmente reais. No escuro do cinema, não é apenas difícil diferenciar o que é real do falso, como também é impossível desgrudar os olhos da tela. O que se vê nas diversas camadas de 3D, é uma sucessão de planos tão sensacionais como o anterior. Os personagens transmitem uma humanidade difícil de enxergar em filmes com atores reais. Suas emoções são puras, visuais e faladas. Os cenários deslumbrantes enchem os olhos de uma forma que quase não podemos acreditar.

Pandora começa a existir e não sai de nossa cabeça durante horas. As espécimes de flores e animais foram criadas com todos os detalhes pela mente do diretor perfeccionista. Foram contratados biólogos, físicos, químicos, tudo para que o planeta realmente pudesse existir. Cada planta e animal tem um nome, um som, uma característica específica. Suas peculiaridades, como por exemplo, a forma como os Na'vi(nativos de pandora) se comunicam com os animais é de uma simplicidade genial e própria da biologia do lugar. A forma como todos se alimentam, a religião e sociedade teimam em existir de uma forma própria, similar e ao mesmo tempo completamente diferente daquilo que conhecemos.

Os atores são um aparte. Sam Worthington(de Exterminador do futuro: A salvação) está ótimo como protagonista e junto com Sigourney Weaver consegue passar a cumplicidade necessária para não estranharmos as formas diferenciadas dos Na'vi. Se há um pecado a ser ressaltado em Avatar é apenas seu roteiro, que emprega alguns clichês esperados e não questiona, mas nos deixa ainda mais sedentos por Pandora. Claro, esse não é o mote de Avatar. Nota-se facilmente pela raridade dos diálogos. É um filme simples e puramente visual.

Cada cena do filme é de uma riqueza absurda que merece ser assistido diversas vezes. Avatar é a experiência 3D visual definitiva.

(500) dias com ela - Filme Indie do ano vai além da comédia romântica tradicional



Nota: 9 / 10


Days of Summer

EUA, 2009 - 95 min

Romance
Direção:
Marc Webb
Roteiro:
Scott Neustadter, Michael H. Weber
Elenco:
Joseph Gordon-Levitt, Zooey Deschanel, Geoffrey Arend, Matthew Gray Gubler



Antes dos créditos de abertura do filme uma mensagem: "Todas as situações do filme são mera coincidência com a vida real. Especialmente você, Jenny Beckman. Vaca". Esse tom de desforra colocado pelo roteirista de 500 dias com ela, reflete aquela fase na vida de garotos e garotas que nunca sai da nossa vida. O momento em que pensamos ter encontrado a mulher de nossa vida e que após seu final, pensamos nunca encontrar alguém que preencha esse espaço. Essa premissa coloca o espectador em uma viagem não-linear pelo relacionamento do protagonista com a diabólica personagem de Zooey Deschannel. E só por começarmos a odiar Zooey, temos um motivo para odiar o diretor Marc Webb.


Na história, um rapaz que acredita no amor verdadeiro, pensa ter encontrado sua alma gêmea. O problema é que ela não pensa assim.


Diferente e original. (500) dias com ela joga muito bem com a estética que permeia as produções independentes dos últimos anos. Enumere aí Pequena Miss Sunshine e Juno(ao qual o filme mais se relaciona). Se Joseph Gordon-Levitt pode irritar algumas pessoas, é Zooey que atrai o carisma desde o início do filme. A narrativa construída em um roteiro não-linear também sabe jogar com o início radiante até a decadência do relacionamento de ambos.


Marc Webb cria saídas geniais para entendermos a mente do garoto que cresceu com a falsa promessa de encontrar a mulher certa, aquela que vai tornar a sua vida feliz, afinal. São jogadas com a novelle vague, uma trilha sonora devastadora e a mistura da realidade com o esperado pelo jovem, através de animações e telas divididas(um dos pontos altos do filme).


Entramos na história achando o protagonista apenas mais um idiota, enquanto a personagem de Zooey é uma menina traumatizada e misteriosa. Aos poucos, vemos a situação se inverter, conforme as idas e voltas entre o primeiro e último dia vão mostrando a realidade que não esperávamos. E dá-lhe closes nos olhos profundamente azuis da garota. Assim, o filme gira principalmente entre essa relação, dando pouco espaço para os coadjuvantes e valorizando as cenas dos diálogos e pensamentos.


Essa relação em que todos se encontram. É ali que encontramos aquele adolescente inseguro(a) que éramos. Preso no fundo da alma, ele vê no filme um espelho onde reflete as inseguranças que temos em nossas relações e que nasceram desse nosso primeiro trauma, com suas raízes fortemente entranhadas e que minam nossa confiança em outros relaciomentos. Nossa "Jenny Beckmann" pessoal não é apenas a monstra que aparece no filme, mas uma junção de todas aquelas que nos frustraram de alguma forma em toda nossa vida.


A história não convencional sabe como prender a audiência. O climax do filme na conversa dos dois protagonistas é de arrepiar o espectador. E mais: cria um elo com ele.


Erva de Rato no Cine Divã: Eu vou!


Hoje a noite acontece mais uma edição do Cine Divã, uma parceria entre a Associação de Críticos de Cinema do RS (ACCIRS) e o pessoal da ASSOCIAÇÃO PSICANALÍTICA do RS, às 19h, no Cine Santander Cultural. No debate, representando o pessoal da crítica, ninguém mais, ninguém menos do que esse que vos fala. Conto com a presença de todos!

Abraço!

A Saga Crepúsculo: Lua Nova - O filme melhora, mas nem por isso é bom..

A Saga Crepúsculo: Lua Nova - O filme melhora, mas nem por isso é bom...

Nota 4,5 / 10

The Twilight Saga: New Moon

EUA, 2009 - 130 min
Romance / Fantasia
Direção:
Chris Weitz
Roteiro:
Melissa Rosenberg
Elenco:
Kristen Stewart, Robert Pattinson, Taylor Lautner, Dakota Fanning, Michael Sheen

O sucesso de público de Crepúsculo não poupou o filme do massacre da crítica. Mesmo assim, criou uma legião de fãs da história de Bella e Edward, preparou a franquia e por fim, iniciou uma campanha maciça para Lua Nova. Bateu recorde atrás de recorde: filme mais assistido na pré-estreia da meia noite, maior número de ingressos vendidos em pré-venda e superou Cavaleiro das Trevas na sexta-feira de estreia. $ 72 milhões de dólares contra os $64 de Batman. No fim-de-semana, conseguiu ótimos 140 milhões de dólares só nos EUA e 258 milhões mundialmente. A terceira maior abertura de todos os tempos é compreensível, mas nem por isso faz de Lua Nova, algo muito melhor do que seu antecessor.

Após uma festa de aniversário com um acidente envolvendo sangue, Edward decide se afastar de bela poder protegê-la. A moça, arrasada encontra conforto nos braços de seu amigo Jacob, que aparenta animosidade contra os Cullen. Viciada em adrenalina a garota provocará problemas em seu mundo e no mundo dos vampiros.

É triste admitir, mas a saída da irreconhecível diretora do primeiro filme, Catherine Hardwicke, fez bem a série. Chris Weitz, de A bússola de ouro, sabe aquilo que as fãs gostam e com 50 milhões na mão, não se fez de rogado. Foi competente quando não se prendeu a flashbacks desnecessários e se aplicou na narrativa, com momentos de verdadeira iluminação(diga-se a inteligente passagem de tempo no quarto de Bella e as brigas de lobos com vampiros). No entanto, ficam por aqui os méritos do diretor.

Diálogos longos, cenas que vão e voltam interminavelmente, além de coincidências inexplicáveis derrubam o maior dos empolgados com a história. O foco não é o amor de Bella, Edward Cullen e sim seu amigo, Jacob. O ex-shark boy se esmera mas não consegue o coração da moça. Mas, continua e continua e continua tentando, incapaz de entender quando um chute na bunda foi dado. E para desespero dos desavisados que levam as namoradas, essas cenas são dignas de sono, apesar dos suspiros da sala lotada.

Ao menos essa parece ser o grande mote do filme. A escritora Stephenie Meyer cria uma obra onde um amor irrascível e anti-natural parece fazer sentido. Apesar de impossível e mesmo longe da verdade, é o que precisa para despertar a garota adormecida dentro de mulheres de todas as idades. Mas, Meyer acaba por acabar com sua própria criação. Em seu mundo imaginário, os excluídos são pessoas lindas e ricas enquanto os "normais" são feios e de classe média. No fundo, no fundo, é apenas mais uma visão elitista dos relacionamentos que novamente, privilegiam a beleza ante qualquer outra coisa.

E essa crítica está profunda demais, para um filme que deve ser contra-indicado a diabéticos, tamanha a melação que proporciona.

Ps: Dakota Fanning aparece por no máximo, 2 minutos.

Atividade Paranormal - O fenômeno não consegue superar o original


Atividade Paranormal - O fenômeno não consegue superar o original

Paranormal Activity
Nota 5 / 10

2007, 86 min.
EUA / Horror
Direção:
Oren Peli
Roteiro:
Oren Peli
Elenco:
Micah Sloah e Katie Featherstone

Uma das primeiras cenas de Atividade Paranormal mostra a porta do quarto mexendo lentamente enquanto o casal dorme. A platéia se prepara. Fade. O casal analisa. Na outra noite, nada acontece. A platéia desanima.

Um casal é atormentado por estranhos barulhos durante a noite. O namorado decide então, gravar com uma câmera e microfones especiais o que acontece. O resultado é uma experiência perturbadora sobre o único lugar onde nos sentimos seguros: nossa casa.

Ou melhor, deveria ser. Falta ritmo ao estreante Oren Peli, que diz ter gasto apenas 15 mil dólares na produção do filme. O plot é genial: acabar com a sensação de segurança em qualquer lugar. A bruxa de Blair se passava em uma floresta abandonada. REC e Cloverfield revisitavam mitologias do cinema de terror de uma nova forma, mas ainda distante. Mas o quarto de uma pessoa tem o quê de lugar sagrado, intocável. Ter uma força penetrando nesse recinto é quase uma violência psicológica. Fato que já foi mostrado com muita maestria pelo genial Tobe Hopper em Poltergeist. Mas os cortes lentos de câmera, junto às fracas atuações, tornam Atividade Paranormal, uma decepção.

O filme mantém uma linha narrativa com poucos ápices e quando constrói a tensão, ela é rapidamente quebrada por repetições exaustivas e mudanças desnecessárias na história. Outras cenas que realmente assustam(e, infelizmente, estão todas no trailer), não são aproveitadas tão bem como deveriam. Quando chega o momento final, são apenas 3 minutos de tensão elevada e pequenos sustos. Atividade Paranormal pode até ser assustador, mas só para quem não está acostumado com filmes de terror.

O ponto de maior interesse nesse tipo de filme, gravado com câmeras portáteis em forma de realidade é a tensão e o assombro que causam nos espectadores. Parece que ao sair dos estúdios limpos e preparados e tomar um personagem como seu alter-ego, ele causa uma interação quase sincrática com o espectador. A bruxa de Blair iniciou com uma campanha viral que enganou boa parte das pessoas que assistiram o filme, fazendo-os acreditar que o fato realmente acontecera. Acompanhar tudo em primeira mão com um final espetacular deixou este crítico, na época, alguns dias sem dormir direito. REC e Cloverfield conseguem criar o mesmo sentimento, com a mesma sensação de um jogo onde o espectador parece ter algum poder, e ao mesmo tempo é vulnerável.

Por mais fraco que Atividade Paranormal seja, por justamente causar um distanciamento com a câmera, as últimas cenas vão deixar você com uma leve suspeita na hora de dormir, o que mostra o poder das handycams no imaginário cinéfilo.

2012 - A poesia visual e o entediante resto do filme, com Roland Emmerich

2012 - A poesia visual e o entediante resto do filme, com Roland Emmerich

2012

Nota: 4,5 / 10

EUA
, 2009 - 158 min
Ação / Ficção científica
Direção:
Roland Emmerich
Roteiro:
Roland Emmerich, Harald Kloser
Elenco:
John Cusack, Chiwetel Ejiofor, Oliver Platt, Amanda Peet, Thandie Newton, Woody Harrelson, Zlatko Buric, Danny Glover, Thomas McCarthy


Lembra de Independence Day? Alienígenas invadem a terra e destróem todas as capitais do mundo. Depois, Will Smith e o presidente dos EUA salvam o dia. Godzilla? Um lagarto gigante que destrói NY, que tem os filhotes derrubados por gomas de mascar(em uma das cenas mais vergonhosas da história do cinema). Veio O Dia depois de amanhã, onde os continentes do norte do planeta são destruídos por uma revolução climática. E os EUA perdoam a dívida externa para se refugiar no México. Além da destruição e das situações inverossímeis, o que esses filmes tem em comum? O diretor Rolland Emmerich.

2012 mostra a última catástrofe possível: o mundo entra em colapso, predito em uma profecia maia(que aliás, é apenas citada em um ou outro diálogo aqui). O governo não tem o que fazer, por isso prepara arcas que devem salvar pouco mais de 400 mil pessoas, ao singelo preço de $ 1 bilhão de euros. Resta ao pai divorciado John Cusack atravessar o mundo inteiro de avião e salvar sua família.

Você já sabe o que esperar desse filme. Muitos efeitos especiais e todas as cenas principais no trailer. Em 2h e 40 minutos, apenas 40 min apresentam destruição. Sabe o cartaz onde aparece o Rio de Janeiro? Uma cena com menos de 30 segundos. No entanto, esses momentos de destruição acabam sendo os mais verdadeiros e interessantes do filme. É incrível o nível que o diretor consegue elevar sua gama de efeitos e destruição a cada novo projeto. Se o filme tivesse apenas uma hora e meia com elas, valeria muito mais a pena. O momento em que o porta aviões USS John F. Kennedy acaba com a Casa Branca em meio ao silêncio do público e personagens é marcante, e, porque não dizer, poético.

Infelizmente, como era de se esperar, os personagens são chatos e enfadonhos. E acredite, dessa vez, o clima pesado é quebrado poucas vezes pelo humor. As risadas que eram quase uma marca dos filmes do diretor, some em meio aos protestos ante a elitização global. Mesmo que a intenção seja boa, é forçar a barra mostrar os líderes mundiais que salvaram apenas a família e a elite mundial, se renderem ao apelo de um cientista qualquer e voltar sua decisão para salvar os restantes ameaçados. Isso sem contar as demais incoerências e clichês como o padrasto descartado assim que não apresenta mais utilidade à continuidade.

Os dramalhões exaustivamente mostrados, mostrados e mostrados novamente quebram o ritmo da história. Emmerich declarou que não teve quase nenhuma cena cortada de sua ideia original. Isso faz com que o espectador um pouco mais exigente se enfade do filme antes da metade e tire um cochilo entre uma cena de destruição e outra.

Mas, se você pagou para assistir um Emmerich Film, sabe o que vai levar. Boa pipoca!

[Atualizada]Promoção: Acerte os filmes que estão no cartaz do blog e ganhe 1 par de ingressos para THIS IS IT

Promoção: Acerte os filmes que estão no cartaz do blog e ganhe 1 par de ingressos para THIS IS IT

Isso vale para o pessoal do Centro Universitário Feevale:

No prédio amarelo, foram distribuídos cartazes do blog, com 8 cenas de filme. A tarefa não é tão fácil quanto parece, mas se você acertar os filmes ali presentes, leva um par de ingressos para o filme Michael Jackson's This Is It. É sua chance, participe e ganhe prêmios.

Vai uma dica:


Diariamente, você pode ter dicas pelo Twitter

Fique ligado e vá ao cinema de graça!

Intervalo em mais uma mostra!

Intervalo em mais uma mostra!

O 8º Festival de Cinema e Video Estudantil de Guaíba selecionou a mostra oficial! Entre 125 inscritos, 12 selecionados para a Mostra Alternativa Ficção. Entre eles, o curta Intervalo, produção que tem minha direção(Misael Lima) e roteiro de Maria Carolina Bastos. O curta será exibido no dia 9 de novembro, a partir das 20h da noite, no Campus da Ulbra em Guaíba.

Informações pelo site do Festival, aqui .

Confira o trailer:

Ps: Em produção, o documentário "Jéssica", com direção de Maria Carolina Bastos. Em breve...

Distrito 9 - Filme promete muito e cumpre pouco


Distrito 9 - Filme promete muito e cumpre pouco

Nota: 7 / 10

África do Sul / Nova Zelândia, 2009 - 112 min
Ação / Ficção científica
Direção:
Neill Blomkamp
Roteiro:
Neill Blomkamp, Terri Tatchell
Elenco:
Sharlto Copley, Jason Cope, David James

Uma população isolada em um gueto, na sempre alvo de polêmicas Joanesburgo, África do Sul. Dizer que essa história relembra o apartheid não é mera coincidência. A cidade que foi palco da maior discriminação racial nas últimas décadas ainda sustenta raízes desse mal tão próximo. Um negro sem colete à prova de balas, os nigerianos indispensavelmente criminosos e apenas descendentes caucasianos no poder. Em Distrito 9 esses são apenas detalhes quando o maior inimigo(ou talvez, vítima) é um grupo de alienígenas enclausurados em uma zona de contenção há mais de 20 anos. Em formato de falso documentário, o que vem a seguir, é um retrato perturbador da natureza humana.

Em um dia, tudo dá errado. A multinacional encarrega seus empregados de um serviço perigoso: Cadastrar e trasnferir todos os "camarões"(como são chamados os alienígenas) há um novo campo de refugiados. Sua nave, estacionada sobre Joanesburgo por mais de vinte anos ainda incomoda os moradores da cidade e causa insegurança a todos. Um documentário promete reconstruir o que aconteceu nesse dia.

Provavelmente os 30 primeiros minutos do filme são genuinamente originais e diferentes. A proposta do falso documentário retrata os personagens e prenuncia um desastre. Sociólogos defendem os aliens, ongs culpam a MNU e as pessoas comum desprezam os párias da sociedade. O que vemos ali não é nada menos do que já aconteceu durantes os anos fatídicos de repressão racial do país. Observamos chocados a forma como os humanos reagem às criaturas indefesas que nem queriam estar ali desde o início. A repugnância não é digna do brancos, mas mesmo dos moradores negros da cidade, que não suportam a presença dos "camarões".

O desenvolver atinge seu climax quando os engenheiros de armas descobrem uma forma de utilizar o armamento alienígena em seus soldados. Infelizmente, depois disso, Distrito 9 descaracteriza totalmente. Sai o tom de documentário, entram os clichês de filmes de ação. O fugitivo inocente, a dupla dinâmica diferente, mas que tentam relutantemente se auxiliar, superação humana e blá blá blá. O filme inicialmente joga suas expectativas no alto, para depois acabar com elas em menos de 15 minutos. Tecnicamente o filme é competente, mas consgue arruinar uma boa premissa na tentativa de conquistar maior número de público, ou mesmo por incapacidade de manter o ritmo perturbador de seu início.

A produção de Peter Jackson ao menos consegue trazer ao filme de baixo orçamento uma qualidade em efeitos especiais digna de grandes blockbusters. Mas, não foi o suficiente para tirar Neill Blomkamp da mesmice sem originalidade que os grandes estúdios sofrem.