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4 filmes pra curtir no cinema: À Prova de Morte, Meu Malvado Favorito, Salt e Almas à Venda

4 filmes pra curtir no cinema: À Prova de Morte, Meu Malvado Favorito, Salt e Almas à Venda

À Prova de Morte (Grindhouse: Death Proof). Dir.: Quentin Tarantino. Elenco: Rose McGowan, Rosario Dawson, Kurt Russel.

NOTA: 8,5 / 10


"Cheers, Butterfly. The woods are lovely, dark, and deep. And I have promises to keep. Miles to go before I sleep. Did you hear me butterfly? Miles to go before you sleep...". São poucos, pouquíssimos diretores que tem a capacidade de criar algo tão imponente quanto este simples versinho de Death Proof. O prêmio que Stuntman Mike ganha com isso é uma das cenas mais sensuais do cinema até hoje. Vanessa Ferlito, uma atriz praticamente desconhecida que teve suas pernas e pé salientados pela câmera vouyer de Tarantino agora brinda os espectadores de todo o mundo (menos dos EUA onde a cena foi cortada) com uma lap dance de tirar o fôlego. Essa sequência resume em ótimos diálogos, interpretações caricaturadas e uma reviravolta inesperada (menos de 5 minutos depois vemos a cara de Arlete ser arrancada por um pneu de carro) aquilo que o diretor mais estiloso da última década construiu baseado nas suas experiências de Grindhouse e imprimiu em seu próprio estilo. À Prova de Morte é mais filme que seu vizinho Planeta Terror justamente por não se prender só ao tom jocoso e excessivamente gore do primeiro, mas por ter o dedo do seu criador e homenagear com estilo o cinema trash dos anos 70, principalmente quando se trata do uso de dublês e efeitos especiais Old School. Aqui não há espaço para a computação gráfica. É verdade que no segundo ato o filme perde força, mas ainda assim, mantém um grande nível, digno dos filmes do diretor.

Meu Malvado Favorito (Despicable Me). Dir.: Pierre Coffin. Elenco: Steve Carrel, Jason Segel, Julie Andrews.

Nota: 8 / 10


A Universal Pictures entrou tarde no mercado de animações mas teve um bom começo. Meu Malvado Favorito não é de longe um filme marcante, mas tem boas tiradas, um roteiro interessante e um ótimo elenco. Desde que você pegue o filme legendado. Mais uma vez, o Brasil nos brinda com as vozes de humoristas sem talento para a dublagem o que estraga a experiência de assistir a essa boa obra. Sou um grande defensor das animações dubladas por profissionais. Até prefiro uma sessão de cinema de um filme animado dublada, pois o trabalho no país tem ótimos resultados, melhor até que a dublagem americana. Mas com famosos não tem jeito: fica sempre horrível e esse filme não é exceção. A história mostra o outro lado da moeda: um vilão que quer roubar a lua e para isso, precisa da ajuda de 3 crianças órfãs para enganar seu arqui-rival. Personagens cativantes, um 3D divertido e excepcional e uma história mediana que deve agradar, mas de maneira nenhuma será um marco para alguém além da Universal Pictures.

Salt (Salt). Dir.: Phillip Noyce. Elenco: Angelina Jolie, Liev Schreiber e o alemão da cantina nos Bastardos Inglórios

NOTA: 5 / 10


Angelina Jolie desistiu dos filmes de arte e embarcou no pipocão de cabeça. Existem exceções como A Troca e O preço da coragem, mas seus maiores sucessos são sempre os mesmos: O papel de femme fatale literalmente fatal. Depois de Sr. e Sra. Smith e Procurado, filmes de gordas bilheterias e orçamentos, chegou a hora da senhora Pitt deixar as crianças de lado e encarar seu lado Bourne de ser. E é só isso que o filme é. Como na série do agente com amnésia, a história aqui vai para o mesmo lado. Passado misterioso, conspiração da Guerra Fria (AHn???) e o personagem incriminado tentando provar sua inocência. A era Bourne não permite sutilezas. Só o imprvável. A história mostra uma agente da CIA resgatada a poucos anos da Coréia do Norte, que é acusada por um espião russo de armar a morte do vice-presidente da Rússia. É claro que ela irá enfrentar exércitos de agente super treinados, explosões, traições e traumas e sair com apenas um arranhãozinho em uma parte não vital. Assim como as reviravoltas do filme são previsíveis e quase infantis. Mas é Angelina Jolie em um filme onde você pode no mínimo, parar de pensar por uma hora e meia, o que já é grande coisa.

Almas à Venda (Cold Souls). Dir.: Sophie Barthes. Elenco: Paul Giamatti.


NOTA: 8,5 / 10


A grande sacada de Almas à Venda é parecer com filmes do gênero como Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças e outros filmes de Spike Jonze e Charlie Kauffman, mas ser absolutamente original em seu desenvolvimento. O plot é bizarro. Uma empresa promete remover a almas das pessoas que a sentem como um peso terrível e querem viver uma vida mais plena. Paul Giamatti interpretando a si mesmo precisa disso antes que tenha um colapso. Longe das experimentações dos filmes citados acima, a história aqui depende muito mais da interpretação sutil do ótimo Giamatti que nunca caricaturiza as almas utilizadas por seu personagem. O filme tem momentos de humor, mas em sua maioria é como suas cores. Frio, melancólico e terrivelmente verdadeiro. O único momento onde o filme apresenta um pouco de calor é quando enfim o personagem entende que não podemos fugir de nós mesmos e nas relações é que encontramos a vida que parece nos abandonar. Um momento muito bonito que é de emocionar e mais de tudo nos faz questionar a importância de aprendermos a conviver com quem somos. Parece muito auto-ajuda lendo neste texto, mas a conotação do filme é brilhantemente discreta para que você possa mastigar antes de engolir. E saber que mesmo um grão-de-bico pode ser uma bela alma.

2 comentários:

Natalia X. disse...

Dos 4 só assisti o primeiro. Vdd, a segunda parte perde um pouco a força, mas a corridinha do final (e o proprio final) é uma maravilha.

Li mtas pessoas criticarem o filme e falarem mal sobre as cortadas toscas do filme. O que me irritou mto, considerando que era essa a proposta do filme e Tarantino fez de maneira impressionante.

Salt falaram que é fraco pra caramba, provavelmente esse é o proximo da lista que vou ver.

Abs!

will disse...

Quase nunca disse isso, parece sacrilégio, mas não gostei de À prova de morte. Não gostei MESMO.

Meu malvado favorito eu adorei, muito fofo, divertido, clichê, mas divertido. E realmente a dublagem é PÉSSIMA, o Jason Segel, queria ouvir o Jason Segeeellll.

Surpreendentemente, gostei de Salt. Diversão.

Almas à venda foi uma loucura louca, que pra mim beirou mais a loucura de Synedoche, new york do que de brilho eterno ou quero ser john malkovich, pq, pra mim, não foi genial, tua crítica foi melhor que o filme...